quarta-feira, 31 de março de 2010

RECORDAÇÕES

Recordando minha infância, que nem é tão remota, lembro bem que a Semana Santa era um dos feriados mais aguardados do ano, tanto pela população residente na cidade quanto pelos filhos ausentes, e um dos símbolos dessa lembrança nostálgica era a malhação de judas, na qual passavam-se dias elaborando o dito cujo em total e absoluto sigilo, para que assim evitassem seu roubo, fato que deixava a brincadeira ainda mais jovial.

No sábado de aleluia cedinho começavam-se os preparativos para a execução da sentença do homem de trapos, escolhia-se o local e todos lá iam empunhando armas de fogo, facas e cacetes para extravasarem sua ira que de vingança não tinha nada, a não ser a de se livrar do fardo carregado nos ombros durante dias de festejos.

Antes de dar cabo ao sujeito lia-se seu testamento que particularmente era o que eu mais esperava, pois era feito em forma de versos e com muito humor, sem contar o fato de que várias vezes o executor do documento ter sido meu pai e meu primo, e eu lá estava ao pé da mesa acompanhando atentamente cada doação da "herança" do moribundo não me contendo de ansiedade e alegria.


Pena hoje lembrado tudo isso apenas nas conversas com amigos, ou em simples lembranças e as vezes até escritos em surtos de recordações de amantes do passado e da cultura popular.

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